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Tuesday, October 4, 2011

Existe livre-arbítrio?

O mundo é um lugar complexo, as relações humanas são complexas, a nossa cabeça é um lugar complexo. Claro que muito do que fazemos, fazemos porque optamos por fazê-lo; mas notem: fazemos escolhas dentro de um campo estreito de limitações. Nossas, de nossas relações sociais e do mundo físico onde estamos.

Assim, ainda que a questão das escolhas feitas pelos indivíduos seja extremamente relevante do ponto de vista moral, do ponto de vista do administrador de empresas é muito importante lembrar que as escolhas humanas acontecem dentro de estreitas limitações, impostas pelos fatores físicos, sociais e biológicos.

Esquecer disso e fazer conexões entre o poder e o significado das escolhas pessoais são raízes de equívocos e de esforço frustrado. Essas são palavras quase literais de Chester Barnard que, surpreendentemente, aborda o tema no Capítulo 2 de seu livro As Funções do Executivo.

Isso não deve ser origem de desânimo ou desesperança, mas ponto de atenção para que, ainda que nossa escolha seja limitada muito estreitamente em dado momento, a persistência de escolhas repetidas em determinada direção pode mudar, grandemente e em definitivo, esses mesmos fatores físicos, biológicos e sociais da vida humana.

Cabe aos gestores garantir essa persistência. Por isso o planejamento, a organização, a direção e os controles - processos tão apregoados como papéis que se espera de um administrador. E é essa persistência que pode garantir o sucesso de ações coletivas, que levem à satisfação do interesse coletivo e à satisfação dos indivíduos que compõe esse coletivo. 

eu gosto muito de administração

Monday, September 19, 2011

Diferença entre efetividade e eficiência - II

Quando Chester Barnard separou os conceitos de efetividade e eficiência, buscava mais que avaliar os simples efeitos das ações humanas no mundo corporativo. Seu modelo tem por objetivo maior compreender porque as pessoas colaboram entre si e compreender como funcionam essas ações cooperativas.

Assim, ele faz questão de fazer essa distinção entre essas palavras aparentemente sinônimas. Com o objetivo de separar aquilo que diz respeito ao resultado da cooperação para o coletivo daquilo que diz respeito ao resultado da cooperação para o indivíduo.

Dessa forma, a efetividade de uma ação cooperativa é a realização dos objetivos reconhecidos dessa ação. O grau de realização indica o grau de efetividade. "Efetividade se relaciona à realização do propósito cooperativo, que é impessoal."

Já a eficiência se relaciona com a satisfação dos motivos individuais. Se as pessoas que fazem parte de um esforço cooperativo não se sentirem gratificadas, interromperão o esforço ou vão se esforçar menos. "Eficiência se relaciona com a satisfação de motivos individuais, e é pessoal."

eu gosto muito de administração

Tuesday, September 13, 2011

Diferença entre efetividade e eficiência - I

No dicionário, não há diferença. O Houaiss define eficiência como "poder, capacidade de ser efetivo; efetividade, eficácia". Entretanto, no mundo empresarial, a diferença existe e é relevante.

Uma ação é efetiva quando serve a um fim específico desejado e esse fim específico é alcançado.

Uma ação é eficiente quando os resultados são bons, mesmo que não alcancem o fim específico inicialmente desejado.

Assim, pode haver ações efetivas eficientes ou não eficientes. E pode haver ações não efetivas eficientes ou não eficientes. Podemos ser, portanto:

1. Efetivos e eficientes;
2. Efetivos e não eficientes;
3. Não efetivos e eficientes; e
4. Não efetivos e não eficientes.

Como assim? - Simples: quando fazemos algo, fazemos com um objetivo qualquer; ao fazê-lo, sempre há efeitos colaterais. Esses efeitos colaterais podem ser pequenos, banais ou triviais; e podem ser grandes, ao ponto de prejudicar os objetivos maiores da corporação. Suponha um vendedor que tem como meta vender cem objetos em dez dias, gastando até quinhentos reais. Se ele vender os objetos no prazo previsto gastando o previsto, foi efetivo. Entretanto, podem haver desdobramentos. Vejamos:

 Se ele vender tudo em um tempo recorde ou com um gasto muito pequeno, ou ainda se satisfizer os clientes de maneira excepcional, foi efetivo e também eficiente (1).

Se ele vender apenas metade dos objetos e estourar o prazo e o orçamento, nem foi efetivo, nem foi eficiente (4).

Se ele vender apenas metade dos objetos, estourar o prazo e o orçamento, mas trouxer vinte novos clientes ou conseguir receber uma dívida grande durante a viagem, não foi efetivo, mas foi eficiente (3).

Por último, se ele conseguir vender os cem objetos dentro do prazo e dentro do orçamento, mas deixar os clientes insatisfeitos, foi efetivo, mas não foi eficiente (2).

Porque essa diferença é relevante no mundo corporativo? Porque os administradores precisam saber ser tolerantes com os resultados que não são efetivos, se são eficientes; e é muito comum isso acontecer em processos cooperativos: atiramos no que vemos e acertamos no que não vemos. Nos exemplos acima, ao bom administrador interessam os resultados 1 e 3 e não interessam os resultados 2 e 4.

O relevante nesta distinção é justamente estar preparado para aceitar o resultado 3 e não apenas ficar obcecado com o objetivo, ao ponto de dar o resultado 2 como aceitável.

Quem primeiro construiu essa distinção foi um Administrador de Empresas chamado Chester Barnard em um livro importantíssimo: "As Funções do Executivo".

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